Por que um blog de ceticismo e ciência?

A resposta para a pergunta do título é que há muita informação, idéias, afirmações sendo propagadas sem que as pessoas se indaguem se o que elas estão propagando é verdade ou não. Isso se torna pior quando muitas dessas afirmações são “vendidas” como científicas (as pseudociências), mas na realidade não tem nada a ver com ciência.

Nos Estados Unidos, há várias “sociedades”, cientistas e escritores de ciência que tem o objetivo de analisar diversas afirmações e mostrar o porquê elas não são e não devem ser consideradas científicas.  Essas sociedades, como Skeptic Society Skeptical Inquirer, fazem parte do movimento cético e pensamento crítico.  Além dos artigos e posts publicados no sites/blogs do movimento cético e científico, há livros excelentes sobre ceticismo e ciência destinados ao publico em geral. Muitos desses livros são escritos por cientistas renomados, como o biólogo evolucionário Richard Dawkins, o cosmológo Lawrence Krauss e o químico Peter Atkins. Enquanto que nos Estados Unidos há revistas, livros, palestras e conferências, no Brasil são poucos os blogs e sociedades ativas, poucos desses livros estão disponíveis em livrarias brasileiras e eu nunca ouvi falar de nenhuma conferência desse tipo por aqui; o movimento cético e de promoção da ciência é fraco no Brasil, pelo menos mais fraco do que eu gostaria. Então, espero que o blog ajude em alguma coisa. Como muitos assuntos já foram adequadamente tratados em sites/blogs americanos, alguns artigos publicados neste blog serão traduções desses artigos para o português. Nesses casos, a fonte será o link do artigo original e todos os créditos serão mantidos. Meu objetivo é promover ciência!

Para início de conversa, vamos usar a definição de ciência fornecida por Michael Shermer no seu livro Por que as Pessoas Acreditam Em Coisas Estranhas?:  

um conjunto de métodos criados para descrever e interpretar fenômenos observados e inferidos, passados ou presentes, e que tem o objetivo de construir um corpo de conhecimento aberto à rejeição ou confirmação.

Ceticismo é uma das principais características da ciência: uma hipótese só é aceita se existir evidências suficientes. Na ciência, o ônus da prova é de quem acusa. Para ilustrar isso, cito o bule de chá de Bertrand Russel: suponha que entre a Terra e Marte há um bulê de chá chinês orbitando o sol numa trejetória elíptica. Se for dito que esse bule é pequeno a ponto de nenhum telescópio ser capaz de detectá-lo, não podemos provar que esse bule não existe. Porém, isso não significa que exista um debate em relação à existência desse bule; não significa que hipótese do bule existir seja equiparável com a hipótese do bule não existir (hipótese nula). Bertrand Russel criou essa analogia para mostrar que o ônus da prova é de quem afirma, não cabendo aos céticos refutarem a afirmação. Como nesse exemplo do bule (e em muitos outros), não é possível provar a não existência do bule, a posição padrão da ciência é o ceticismo: bules de chá chineses não existem até que se prove o contrário; ou seja, uma hipótese é considerada falsa até haver evidências suficientes para rejeitar a hipótese nula. 


  


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